Sorato
"Acho que a pessoa que escolhe
o futebol é porque gosta mesmo, sabe que jogar num time como
o Bahia tem muita responsabilidade, muita cobrança, muita
pressão, mas é quando eu me sinto bem, quando eu entro em
campo. Eu gosto de desafios e isso tem me motivado a jogar
futebol"
27/10/2006

Artilheiro da Série C, e entre os
maiores artilheiros do país no ano de 2006, o veterano
atacante Sorato, gentilmente recebeu a equipe ecbahia.com.br
no Fazendão para falar sobre a sua carreira, e a sua vinda
para o Bahia:
Leandro Silva
Quando apareceu a
proposta para jogar no Bahia o que passou pela sua cabeça?
Eu tenho a consciência de que é um time grande, de muita
tradição. Quando algum time se interessa por mim, eu sempre
procuro ouvir e conversar, e não foi diferente com o Bahia,
um time de muita tradição. Eu sabia das dificuldades que
estava passando, estar na Terceira Divisão, mas é um time
que tem condições de reverter tudo isso e começar a rumar
para uma situação melhor.
As negociações demoraram, ou você já tinha deixado certa
a sua chegada após o término do Campeonato Carioca?
A gente conversou mais ou menos um mês, negociando,
porque não tinha como eu ser liberado da Cabofriense. Quando
acabou o Carioca a gente acertou tudo.
O que representa para você a luta pelo título de maior
artilheiro do país em 2006? (Sorato já marcou 28 gols em
2006, atrás apenas de Rinaldo do Fortaleza, com 32 gols)
É uma marca importante para qualquer jogador, ainda mais
no Brasil que existem grandes jogadores e goleadores. Mas o
meu principal objetivo é sempre o coletivo, nunca o
individual. E se acontecer de ser artilheiro do Brasil que
seja um bônus que venha a premiar todo o nosso objetivo
principal.
Desde que você começou a fazer os gols pelo Bahia
surgiram várias propostas pelo seu futebol, por exemplo, de
Paysandu e Remo que disputam a Série B. O que foi que te fez
permanecer no Bahia?
Eu fui muito bem recebido aqui, por todos, pela
diretoria, pela torcida. E também pelo compromisso. Estou
muito bem aqui, estou satisfeito e feliz, apesar de todas as
dificuldades de toda a situação difícil que estamos
passando, mas é um lugar onde me sinto muito a vontade. Algo
me dizia, e eu sei que foi Deus quem estava me dizendo que
tinha que ser aqui. E isso que me deu mais tranqüilidade,
surgiram algumas propostas e sempre quando se falava no
Bahia eu sentia uma tranqüilidade para vir e eu acabei vindo
e ficando. E graças a Deus está sendo muito bom para mim, e
a gente está correndo atrás para que seja bom para todos,
para o grupo todo, para o clube, a gente necessita tirar o
Bahia da terceira divisão.
Você já tinha recebido propostas do Bahia ou essa foi a
primeira vez?
Essa foi a primeira vez. Nunca tive outras propostas do
Bahia em anos anteriores.
Você é um exemplo para os jogadores mais jovens do Bahia.
Quando você começou no Vasco, alguém fazia esse papel de
servir de exemplo para vocês, mais novos?Qual a importância
dessa referência?
Quando eu comecei no Vasco tive a felicidade de
encontrar um jogador como Roberto Dinamite. Era da mesma
posição que eu, e eu sempre procurei me espelhar na postura
e nos exemplos dele. Eu também procuro passar bons exemplos
e conselhos para os mais novos, no Bahia. Mas o principal
mesmo é o testemunho, a minha atitude, a maneira que eu
treino, que eu levo a minha vida e a minha profissão.
Você tem uma imagem de profissional exemplar. Você sempre
teve essa postura ou amadureceu com o tempo, como seu
ex-companheiro Edmundo?
Eu sempre tive essa postura, claro que com o passar dos
anos a gente vai amadurecendo, aprendendo mais. Hoje em dia
o que mais se cobra de um jogador é o profissionalismo, o
futebol mudou bastante. Se você não tiver uma atitude
profissional você está fora do mercado. Para mim não foi
novidade porque eu sempre levei a minha vida dessa maneira.
Você acha que essa exigência de profissionalismo fez
passar aquela moda dos jogadores “bad-boys”,
indisciplinados?
A exigência está maior com relação ao profissionalismo.
A imagem do atleta está cada vez mais importante para o
clube. Então, sem dúvida nenhuma, esse é um fator que
contribuiu para que essa imagem de “bad boy” esteja um pouco
apagada nesse momento.
O que você acha da bebida alcoólica para um jogador de
futebol?E as noitadas?
Isso só traz problemas para o atleta. Eu acho que não
combina. Ainda mais no futebol atual que é muito
competitivo, de treinos exaustivos, em que você necessita de
um dia para o outro ter uma recuperação rápida para ter
novos treinos exaustivos. Além do desgaste da profissão,
você vai ter um desgaste de perder horas de sono, ter uma
bebida alcoólica no organismo que vai atrapalhar a
recuperação.
No futebol atual os jogadores que se destacam são
rapidamente negociados com o futebol europeu. Você só teve
uma experiência internacional no Videoton da Hungria, em
2002. Como foi essa experiência. Qual campeonato ou time
europeu você gostaria de ter jogado?
Foi uma experiência muito boa de vida. Apesar do futebol
de lá não ser muito forte, eu aprendi muito com a essa minha
passagem por lá, muito profissionalismo mesmo em um centro
menor da Europa, acrescentou muita coisa para mim e para a
minha carreira. Poder conviver com uma cultura diferente
também foi muito importante. Gostaria de jogar em qualquer
clube grande europeu, todo mundo tem essa vontade.
Você estreou no time profissional do Vasco substituindo
Romário que estava contundido e marcou duas vezes contra o
Flamengo. Como você está acompanhando a caçada do “baixinho”
pelo gol 1.000? Você sabe quantos gols você já fez na
carreira?
Eu não faço essa contagem. Realmente é uma falha, eu
deveria ter feito. Quanto ao Romário, um jogador consagrado,
mundialmente reconhecido, acho que nada mais justo ele
correr atrás desse objetivo que ele traçou. Ele merece por
tudo que ele fez pelo futebol pela alegria que ele deu aos
brasileiros, então seria uma marca importantíssima para
fechar a carreira dele.
Você pretende continuar no Bahia no próximo ano?
Se depender da minha vontade, claro que eu gostaria de
ficar. Mas a gente sabe que necessita que as coisas andem
bem, que a gente conquiste o nosso objetivo que é voltar à
segunda divisão. Não passa pela nossa cabeça não conseguir
isso, mas se não conseguirmos, a gente sabe que isso pode
complicar um pouco mais. Mas acho que o importante é que a
gente esteja voltado para essa reta final da Série C. A
gente tem essa dificuldade para reverter mas vamos
conseguir.
Você pretende jogar mais quantos anos?Já pensa em
aposentadoria? Já planeja o que fazer após o fim da
carreira?
Eu não tenho planejamento para parar. Nunca fui muito de
fazer esse tipo de planejamento, tenho uma condição física
boa, tenho suportado o ritmo de treinamentos e jogos, tenho
rendido, e acho que isso que determina se você vai continuar
jogando ou não.
Já planeja o que fazer após o fim da carreira?
Tenho a vontade de continuar no futebol, em alguma
função. Eu sei que falta pouco tempo, resta definir qual
será a função.
Romário ainda joga com 40 anos com a motivação de chegar
aos 1.000 gols. O que te motiva a continuar jogando?
Eu faço o que eu gosto. Quando eu era criança, sonhava
em ser jogador de futebol, corri atrás do meu sonho, deu
certo, e acho que a pessoa que escolhe o futebol é porque
gosta mesmo, sabe que jogar num time como o Bahia tem muita
responsabilidade, muita cobrança, muita pressão, mas é
quando eu me sinto bem, quando eu entro em campo. Eu gosto
de desafios e isso tem me motivado a jogar futebol.
Quais jogadores você mais gostou de ter jogado ao lado?
Tive a felicidade de jogar com grandes jogadores. Joguei com
Bebeto no Vasco, Romário no Fluminense, joguei com Edmundo,
Evair, o Bentinho no Botafogo, que tinha muita qualidade. E
agora tenho jogado com o Paulo César aqui no Bahia, formando
uma dupla que tem um ótimo entrosamento.
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