Arquibancada
Hoje joga o Bahia: angústia e
sofrimento em dia
11/11/2006
Lembro-me quando ia à Fonte Nova com meus
irmãos, tio e primos, todos tricolores, e meu pai, o único
rubro-negro.
Todos apertados no fusquinha azul de meu pai, com as
bandeiras tremulando ao vento, uma em cada janela. O trajeto
Lapinha-Fonte Nova era uma alegria única! No rádio,
escutávamos uma música:
Hoje tem Fonte Nova
Não esqueça sua bandeira
Hoje joga o Bahia
“Alegria brasileira”
Bola com Roberto
Entregou para Gajé
Passa por um, dois, três
Ele faz o que bem quer
Entrega pro Jair
De primeira para o gringo
Passa por um, dois, três, faz o gol!
Oh, que gol tão lindo!
O Roberto era o Rebouças, zagueiro do "Bahia de Todos os
Tempos”; Gajé era um ponta-direita voluntarioso e driblador,
campeão baiano pelo Leônico (1966); Jair era um ótimo meia,
vindo do Bonsucesso – certa vez, o vi disparar um bomba da
intermediária no ângulo do goleiro do Flamengo, no gol do
dique, pelo Robertão, (1968 – Bahia 2 a 1); Sanfilippo,
autor do outro gol naquele jogo, era o tal “gringo” da
música, ídolo tricolor, ex-San Lorenzo, ex-Seleção
Argentina, autor dos três gols do Boca Junior nas finais da
Libertadores de 1963 vencida pelo Santos.
Assim é que íamos à Fonte Nova, com bandeiras, ouvindo o
hino, músicas como essa, felizes da vida. Íamos assistir os
nossos ídolos, os nossos craques. Tínhamos orgulho, honra.
Sabíamos que não voltaríamos decepcionados. Haveria luta, no
mínimo.
Por inteira responsabilidade (ou irresponsabilidade) de um
pequeno grupo de asquerosos, acima do Bem e do Mal, que
tenta a cada dia destruir uma história de tanto sacrifício e
suor, essa felicidade foi tirada da família baiana.
Hoje, ir à Fonte Nova não é mais uma “Alegria Brasileira”,
mas motivo de agonia!
A saída do estádio deixou de ser uma festa; tem-se a
impressão de um cortejo fúnebre.
Albino Brandão, São Luís-MA.
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