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OPINIÃO  

Arquibancada

Editorial
17/11/2006

Ao longo dos anos o futebol se tornou o esporte mais popular do planeta. Jogado em todos os cantos do mundo ele vem evoluindo a cada dia, embora a maioria das suas regras não tenha sofrido grandes alterações ao longo do século. Mas na sua maneira administrativa muita coisa mudou nestes tempos modernos, o produto futebol virou uma empresa que gera, movimenta e fatura milhões de cifras pelo mundo. No Brasil existem clubes bem administrados com folha de pagamento de atletas e funcionários em dia com estrutura parecida até com clubes médios da Europa. Com a Lei Pelé os clubes passaram a ser tratados como empresas que geram lucros e dividendos, mas nem todos os clubes podem ou tem condições de ser desta maneira, outros são por que na maioria dos casos são administrados por amadores apaixonados, abnegados, oportunistas de plantão e etc.

Na Bahia temos o caso do Esporte Clube Bahia, maior clube do Estado, fundado em 1931 e com um currículo vitorioso construído ao longo dos seus 75 anos de vida, tendo chegado ao ápice e apogeu maior do nosso futebol por duas vezes - uma em 1959, quando vencera a primeira competição nacional de grande porte que envolveu clubes de vários estados do Brasil, a “Taça Brasil”, quando numa melhor de três venceu nada mais que nada menos o temível time do SANTOS de PELÉ e Cia, sendo no dia 29/03/1960, no Maracanã, na negra, batendo de virada por 3 a 1 o time da Vila Belmiro; a outra grande epopéia foi em 1989, quando sagrou-se Campeão Brasileiro de 1988 ao derrotar o Internacional/RS, clube 3 vezes campeão nacional, em uma melhor de duas partidas, tendo no dia 19/02/1989 no Estádio Gigante da Beira Rio com um empate de 0 a 0 e se sagrando campeão.

A partir daí o Bahia entrou em colapso consigo mesmo, pois a sua diretoria não soube tirar proveito do titulo brasileiro. Apesar de fazer uma bela campanha na Libertadores, onde foi eliminado pelo mesmo Internacional com ajuda do árbitro na primeira partida, em Porto Alegre, o máximo que o clube fez foi fazer jogos amistosos no interior do Rio Grande do Sul. O clube e sua diretoria não levaram o Bahia a disputar torneios europeus e faturar. No ano seguinte, fez jogos na África e América Central, muito pouco para uma equipe vencedora no Campeonato Nacional mais disputado do planeta.

Desde estes tempo que a diretoria do Esporte Clube Bahia dava claros e vastos sinais da sua incompetência e falta total de visão administrativa e marketing esportivo, e ao passar dos anos o gerenciamento e parcerias no mundo da bola passaram a ser mais altos e lucrativos, vide a parceira PALMEIRAS E A PARMALAT. Tudo bem, outras não tanto, como as parcerias com o Grupo EXCEL com o Corinthians e o Vitória, mas vejamos as positivas. Tudo bem que outros grande clubes não de deram bem com parceiras como Flamengo, Grêmio, Cruzeiro e recentemente o Corinthians e a MSI, mas são também tudo fruto de péssimas administrações e gestões desatualizadas. Mas vejamos quantos investidores internacionais tem vindo ao Brasil e preferem fazerem parcerias com clubes de menor expressão do que com clubes grandes tradicionais, porque eles preferem Grêmio Barueri, J.Malucelli, Figueirense, Caxias, e outros.

Agora vejamos clubes de parceiras multinacionais, como o São Paulo FC, o Cruzeiro e o Internacional. Não fazem muitos investimentos multimilionários, mas suas diretorias pensam grande e alto e, além de conquistas nacionais, chegam a competições internacionais como Libertadores e Copa Sul-Americana, pois estes clubes são bem gerenciados, seus diretores profissionais remunerados e prontos e se dedicarem ao clube em tempo integral.

Aqui, ultimamente, o Bahia recebeu uma ajuda de um grupo denominado TURMA TRICOLOR, grupo este que só perdurou por mais ou menos 60 dias e não ouvimos mais. Há vários anos, desde 2002, a ladeira vem descendo e o fundo do poço mais claro, e nada se faz. A torcida faz sua parte, mas talvez isto seja um fato intrigante, pois para a Diretoria atual não importa se a Serie é C ou Serie Z ou W ou Y. Se a torcida vai ao estádio em grande número, pouco importa a Série que o clube está.

As dívidas do clube são altas e a parceria feita com o Banco Investidor Opportunity foi uma infelicidade total, e agora todos largaram o barco à deriva, como o Sr. Marcelo Guimarães. E o atual Presidente é somente um fantoche, assim como toda a diretoria, todos amadores de quinta categoria não entendem nada de gestão esportiva. Quem tentaram trazer pra reerguer o clube é o senhor que também está atrasado com relação à gestão esportiva, haja visto que o seu próprio clube está indo também ladeira a baixo - o Real Salvador. Newton Mota veio assumir a diretoria de futebol do Bahia e ele mesmo também está atrasado e com uma visão diminuta do futebol moderno. Trouxe ao clube mais de 53 atletas e a maioria deles já foram, outros nem vestiram a camisa do clube, a divisão de base foi jogada às feras e treinadores queimados como Charles Fabian.

Alguns jogadores como Alexandre Sales, o qual vi alguns jogos dele pela Inter de Limeira e Guarani, chegou aqui e não rendeu por quê? Por causa da bagunça, salários atrasados e etc. E outros poucos atletas que mostraram futebol, como Paulo César e Guilherme? Será que vocês acham que estes atletas irão desejar continuar aqui nesta bagunça somente por causa da torcida? Pasmem, amigos, a diretoria que domina o Bahia a mais de 30 anos, em 1988, quando terminou a fase de classificação, a diretoria que nunca acreditou na força do clube deixou Sidmar e Pereira irem embora, pois seus contratos não foram renovados para o término do campeonato, mas como costumo dizer que alguns dirigentes como Osório Vilas Boas e Paulo Maracajá tinham estrela, o clube foi bem com Claudir e Ronaldo, e foi campeão.

Mas voltando aos atletas que nos 10 últimos anos vestiram a camisa tricolor, e a maioria ninguém se lembra mais, ou você se lembra do time que entrou em campo no vexame de 1997 contra o Juventude no primeiro rebaixamento? Ou de 2003 contra o Cruzeiro (7 a 0) e o vexame de 2004 contra o Brasiliense? Pois é, amigos, em 2002 o clube se safou na última rodada graças a Nonato. Naquele ano o clube trouxe Geraldo e Calisto, que foram as últimas boas contratações do clube, mas a diretoria do Sr. Guimarães não renovou o contrato dos atletas para o ano de 2003 e aí vocês já sabem o final. Agora estamos vendo jovens promessas do clube como Cícero, que foi negociado com um empresário por apenas R$ 250.000,00, Daniel Alves foi vendido a preço de banana ao Sevilha por apenas US$ 500.000,00 - é o que a diretoria informou -, e hoje vale mais de US$ 25.000.000,00.

Pois é, amigos, estão dando um fim a uma paixão a um clube de massa fiel apaixonada que tem status de série A, imaginem o Bahia na série A todo ano disputando o título e a Libertadores e a Sul Americana, jogando contra Boca Jr, River Plate, América do México, Penarol, Nacional, Olímpia e outros grandes equipes da América do Sul, mas para esta diretoria aí é uma UTOPIA pensar grande. Que pena.

E agora como vamos honrar o nosso passado de tradição, como honrar o manto vestido por Teixeira Gomes, Canoa, Gia, Pega Pinto, Rubens, Raul Coringa, Gambarrota, Bayma, Gueguê, Pedro Amorim, Vareta, Tintas, Gereco, Isaltino, Zé Hugo, Lessa, Arnaldo, Zé Grilo, Carlito, Juvenal Amarijo, Laerte, Marito, Alencar, Biriba, Leo Briglia, Bombeiro, Bacamarte, Nadinho, Leone, Florisvaldo, Vicente, Henrique, Mario, Ari, Carioca, San Filipo, Eliseu, Zé Eduardo, Gajé, Carlinhos, Arthur, Roberto Rebouças, Buttice, Canhoteiro, Altivo, Sapatão, Zé Augusto, Romero, Baiaco, Fito, Douglas, Jorge Campos, Beijoca, Jesum, Tirson, Picolé, Leguelé, Osni, Gilson Gênio, Perivaldo, Joel Mendes, Renato, Leo Oliveira, Emo, Ronaldo, Marinho Apolônio, Leandro, Cláudio Adão, Zanata, Sidmar, Maílson, Pereira, Paulo Robson, João Marcelo, Claudir, Edinho Jacaré, Gil Sergipano, Paulo Rodrigues, Zé Carlos, Charles, Sandro, Marquinhos, Osmar, Bobô, Marcelo Ramos... Estes escreveram os seus nomes e o nome do ESPORTE CLUBE BAHIA NA HISTÓRIA, e de 1995 pra cá triste está sendo o nosso fim.

Galdino Antonio Ferreira Silva (Nativa FM), Salvador-BA.

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