Arquibancada
Cuspe tricolor
14/02/2007
Acredito que a maioria dos leitores desse
site não tenha visto o jogo Bahia x Barueri pela série C do
ano passado. Sorte dessa maioria. Eu vi. Eu estava lá na
arquibancada. Eu e mais uma galera de baianos que mora aqui
em São Paulo. E posso falar uma coisa: nunca tinha visto uma
coisa daquela. Reformulando para dar mais impacto, nunca
imaginei que veria um time de futebol jogar tão
desastrosamente. E justo o meu Bahia seria esse time.
Sou Bahia como muita gente aqui, mas vou falar uma coisa:
não vou mais. Depois daquele jogo, resolvi que não vou mais
para nenhuma partida do Bahia. Não vou mais porque jogos
desse nível não são espetáculos para serem assistidos por
ninguém, a menos que você esteja esperando a próxima para
jogar nesse baba. Não vou mais porque a direção do Bahia é
aquela palhaçada toda que todo mundo já falou. E não vou
mais porque a torcida do Bahia é uma piada.
“Sabia que esse cara era torcedor do Vitória!!”, “Quem é
esse maluco para falar assim da gente?”, “Mora lá em São
Paulo e vem criticar a torcida do Bahia!!”. Muita gente deve
estar falando isso agora. Mas eu repito: é uma piada.
Colocam 50 mil (sei lá quantos foram na verdade) para
protestar. Lindo, maravilhoso, civilizado. Vamos dar duas
semanas, 15 dias para os caras renunciarem. Clap, clap, clap.
Palmas e mais palmas. Mas, e depois? Cadê mais
manifestações? Cadê as cobranças? Cadê a boca no trombone?
Nem na gaita essa boca foi. Parou tudo.
Era fogo de palha, pensava eu. Nananinão. Veio o Público
Zero. E vem com força, prometem alguns. Um jogo, tudo bem.
Dois, público pequeno. Três, um pouquinho maior. Quatro, ôpa,
o Bahia está vencendo, vamos dar uma pausa nessa porra. Quem
ama o Bahia não protesta, vai é para o campo gritar em
português errado, mas que até fica bonito na boca do povo
“Umbora Baêêêaaa!!!”.
Faça-me uma garapa. Na minha opinião, vencer Atlético de
Alagoinhas, Colo-Colo, Ipitanga, Flu de Feira e até o
Vitória é uma façanha ridícula. Não vale nada. Eu amasso e
jogo no lixo. Só que a torcida piada não acha. O incrível é
que isso não acontece só nas classes mais baixas, os
torcedores menos esclarecidos. Isso acontece em todas as
camadas, até aqui, no ecbahia.com.br. Falar que Rafael
Bastos é um baita jogador (li isso aqui e vi ele jogar no
campo) é sacanagem. Perguntar se nenhum dos torcedores
ilustres do Bahia vai fazer nada (li isso aqui também,
quando o Bahia caiu para a terceira) é uma
prova de que essa é mesmo uma terra atrasada (é forte chamar
de atrasada?), de gente que espera um herói, um Sassá Mutema.
Parar de fazer críticas duras, de colocar uma faixa de luto
(isso acontece aqui nesse site também) mostra bem a “força”
da oposição.
Tá, já fiz críticas. Já enchi o saco de todo mundo aqui. Já
fui ácido e chato, como fala um amigo tricolor meu. E agora?
Tenho que ser construtivo também. Meu caros, estou com um
misto de raiva e desânimo. Vejo o futebol daqui, de São
Paulo, e não tenho argumentos para usar contra as piadinhas
com o Bahia. E olha que o nível do futebol paulista anda
fraco (imagina o daí). Mas vou fazer algumas sugestões de
protestos: campanha público zero direcionada ao site oficial
do clube e aos programas de TV e rádio dos jornalistas que
não querem fazer nada. Aliás, divulguem quem são esses caras
(vai que eles ficam com vergonha, pelo menos). Divulgação
completa da lista de conselheiros do Bahia. Quem são e o que
fazem. Vergonha neles. Confecção de mais adesivos e
materiais de protesto, como o “Devolva meu Bahia”. Vamos
encher a cidade de indignação. Faixa de luto “eterna” no
material da oposição, como nesse blog. Contador: estamos há
00 dias na lama da terceirona. Vamos lembrar à Bahia o que
era o Bahia e onde ele está. Exaltar vitórias contra esses
times da Bahia é encobertar um pouco a real situação.
Desculpa escrever tanto. Desculpa ser tão prolixo. Escrevi
num cuspe só, nem reli. Se nada der certo, vamos criar o
Esporte Clube Bahia Independente. Começar do zero. É apenas
isso.
Caito Ricardo, São Paulo-SP.
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