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OPINIÃO  

Arquibancada

Cidadão Tricolor
09/07/2007

Em 1° de janeiro de 1931 nascia um clube cujo "slogan" seria o "Nasceu pra vencer". E a história vinha mostrando até a década de 90 que realmente o tricolor baiano possuía uma garra, uma competência em ganhar títulos, e afrontar os poderosos clubes do sul do país, tanto que o fez em 1989 quando conquistou o título brasileiro de 1988 em pleno Beira-Rio, ocasião em que toda a grande imprensa do país já dava como certo o título ao forte Internacional de Porto Alegre.

E muito antes, nos idos de 1959 o Bahia já tinha dado mostras de que realmente era um clube diferenciado ao conquistar a Taça Brasil no Maracanã, diante do poderosíssimo Santos de Pelé, se tornando o primeiro clube brasileiro a disputar a Taça Libertadores da América.

Com as conquistas nacionais, e com a completa hegemonia regional o Bahia, claro, arrebatou em volta de si uma imensa e fanática torcida, que se identificava não só com as vitórias, mas também com a fibra que o clube sempre apresentou em campo. Tanto que em seu hino há o trecho que reza: "ninguém nos vence em vibração", o que de fato sempre foi verdade. Empurrados pela imensa multidão tricolor, o Baêa (como é chamado por nós torcedores) sempre se impôs em seus domínios, dando imensa alegria a seu torcedor.

Formou-se então a Nação Tricolor: uma imensa quantidade de pessoas que AMAM e veneram esse clube, e que mesmo em meio aos obscuros dias a que vem passando desde o ano de 1997, nunca houve total abandono do clube, e todo ano a Fonte Nova fica cheia quando o Bahia mais precisa.

Sem dúvida alguma, é esse o maior patrimônio que o Esporte Clube Bahia acumulou ao longo de seus 76 anos: sua imensa torcida, e disso ninguém duvida.

Porém, NUNCA houve uma real aproximação do torcedor com o clube, a não ser em jogos decisivos como já mencionado, o que de fato é um desastroso desperdício de sustentação financeira. E isso porque o engessado Estatuto Tricolor não é atraente, sob nenhum aspecto, não conferindo quaisquer vantagens ao sócio patrimonial, a não ser a possibilidade de ser eleito após um ano de associação e a possibilidade de votar na chapa do Conselho Deliberativo, que em última instância é o órgão mais importante do clube, quando formado por pessoas isentas e desinteressadas.

Diante de tal constatação, e da total falta de interesse dos "eternos" dirigentes tricolores em reformar o Estatuto, dando o direito de voto direto para Presidente ao sócio patrimonial, o que seria de fato o grande atrativo para a evolução do quadro social, melhorando a sustentabilidade financeira do clube, cumpre nos então a tarefa de cunhar um novo conceito de torcedor, que seria o CIDADÃO TRICOLOR.

Como se sabe, ser cidadão é ser sujeito de deveres e obrigações. Mas é também ter ainda a possibilidade de ser sujeito de direitos. Ou seja, todo aquele que cumpre com suas obrigações tem o dever de exigir também seus direitos. E qual o único direito hoje dado ao torcedor tricolor? Ultimamente o único direito exercido pelo torcedor tricolor é o de SOFRER. É o de ser motivo de chacota pelos torcedores adversários, e o que se faz a respeito disso? NADA - vos respondo. Por isso a imperiosa necessidade de os torcedores tricolores deixarem de ser apenas "torcedores". Tomando então a consciência de que são cidadãos de uma nação, e como tal, devem exigir seus direitos.

Deixar a apatia e o oba-oba de lado, é mais que uma faculdade, é uma obrigação na condição de CIDADÃO TRICOLOR.

Exercer cidadania nesse caso então seria também a abnegação de se associar mesmo sabendo que o único benefício em pagar a jóia de R$ 200,00 à vista ou R$ 250,00 de forma dividida e mais as prestações mensais, seria o de poder modificar o clube através de voto nas assembléias gerais, impugnando a atual direção do Bahia, a exemplo do que já vem ocorrendo em outros clubes.

Ser cidadão tricolor seria assim ser participativo, atuante, importante e eficaz. Ser cidadão tricolor é se importar com o clube não somente na hora de lotar o estádio, tomar sua cervejinha e gritar: "bora baeeeeeeeea!!!".

E a necessidade de o torcedor deixar de ser somente torcedor, para começar a ser CIDADÃO TRICOLOR reside na tentativa de não deixar acabar uma das páginas mais bonitas do futebol brasileiro que é o Esporte Clube Bahia.

Na mão de quem está, pior não tem como ficar...

E nisso vemos uma nova geração de torcedores crescendo e torcendo pro rival, quando não pra times de outros estados, mais organizados e mais estruturados que o clube da Nação Tricolor.

A hora de acordar já passou! Agora temos que levantar e correr atrás do tempo perdido, afim de que não se perca, mais ainda, um dos maiores e melhores clubes do futebol brasileiro.

CIDADÃO TRICOLOR: atuai-vos!

João Victor Vilas Boas Fonseca - Presidente da Consciência Tricolor, Salvador-BA.

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