Arquibancada
Vamos perdoar Nonato!
31/07/2007
Raramente eu me dirijo à Torcida do
Bahia, apesar de tê-la no maior respeito e por ela ter sido,
sempre, respeitado, também.
Com ela pude desfrutar de inúmeras alegrias quando fui
Vice-Presidente das Divisões de Base, nos anos de 93 a 95,
período em que sagramo-nos, juntos, Octa e Ênea-Campeões de
Juniores do Bahia e quando, fruto do nosso trabalho,
revelamos para o nosso clube, jogadores como Jorge Wagner,
Ueslei, Robson Luis,o finado Clebson, Reinaldo Aleluia, na
época chamado de Neinha,Emerson- nosso zagueiro até hoje,e
outros nomes que andam espalhados pelo Brasil e no exterior,
alguns já deixando o futebol, pelo peso da idade.
Diversas vezes fiz promessa à nossa torcida, e com as graças
de Deus, sempre as cumpri, estando, até hoje, invicto em
jogos na Fonte Nova, mesmo tendo ocupado o cargo de Diretor
de Futebol profissional, chamado que fui pelo Presidente
Petrônio Barradas, no ano de 2005, cargo que só aceitei por
amor à nossa torcida, que sofre e paga um valor que, às
vezes, não pode, somente para ir ver o nosso Bahia jogar,
mesmo quando a campanha não é boa.
Mas, mesmo sendo, também, um torcedor de arquibancada, mesmo
tendo todo esse amor, já comprovado, pela torcida do Bahia,
tenho que reconhecer que às vezes erramos. E erramos todos,
juntos.
Quantas vezes não já vaiamos, prejudicando o nosso clube,
digo assim porque faço parte dessa torcida, embora eu,
particularmente, nunca tenha vaiado meu time, nem nenhum
jogador do Bahia, pois entendo que eles estão vestindo a
sagrada camisa tricolor e esta, por ser sagrada, não pode
ser maculada.
Entendo que a vaia deve e pode ser executada depois do jogo,
ou até mesmo no intervalo da partida.
Mas não censuro quem o faz! Temos, porém, que reconhecer que
já perdemos muitos jogadores bons, devido à nossa falta de
paciência, e nossa dificuldade de perdoar quem não joga bem
uma partida, ou quem executa um pequeno lance, sem sucesso.
E recebe uma sonora vaia. Aquele atleta jamais vai acertar.
Jajá - grande promessa - cometeu o pecado de tentar um gol
de paulista. Errou. Não pôde mais jogar. Robgol, Dimba, e
tantos outros nós perdemos.
Mas, por outro lado, compreendo que a nossa torcida - na
qual sempre me incluo - tem suas razões e, muitas vezes, o
jogador faz corpo mole, ou está com o salário em atraso e,
por isso, não se esforça em campo e isto nós não podemos e
não devemos perdoar.
Mas, às vezes, não é bem assim que acontece. Erramos,
também, quando invadimos o campo do Estádio da Fonte Nova,
no jogo contra o Ipatinga, agredindo jogadores, e até aos
próprios torcedores que estavam no gramado, atirando pedras
a esmo e provocando, com isso, penalidades terríveis ao
nosso clube que sofreu um desgaste nacional do seu nome,
além de enormes prejuízos financeiros.
E o que ganhamos com isso? Nada! Somente perdemos! Por isso
lembro uma máxima que sempre sigo: "NUNCA PUNA ALGUÉM QUANDO
O MAIOR PUNIDO FOR VOCÊ!"
E agora, estamos novamente prestes a cometer semelhante
erro. Refiro-me a Nonato. É um dos melhores centroavantes do
Brasil disparado. O Bahia, se perdê-lo, não vai conseguir
substituí-lo facilmente. Podemos, até, não alcançar a
sonhada série "B", por falta de gols, se perdê-lo. Quem será
o maior punido? Nós, torcedores do Bahia.
O acontecido no jogo com o América pode ter sido provocado
por torcedores do América vestidos com a camisa do Bahia. Ou
do Confiança. A reação dele, um jogador em pleno jogo, com a
cabeça quente, que ama o clube de cuja camisa já disse ser a
sua "segunda pele", apupado e execrado por pessoas que se
diziam torcedores do Bahia, foi normal.
Ele reagiu porque não via ali a representação da torcida do
Bahia. De qualquer forma, ele errou. Mas, já pediu
desculpas. Já meteu três gols no último domingo, no
adversário. E é com ele que vamos subir à série "B". Porque
puni-lo, se nós seremos os maiores punidos nesse caso? VAMOS
PERDOÁ-LO! E ele saberá recompensar-nos.
Antonio Jorge Moreira Garrido, Salvador-BA.
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