Arquibancada
Não acredito mais...
04/10/2007
Eu já não acreditava no sucesso de um
time gerido por Petrônio Barradas, Paulo Maracajá e Ruim
Accioly e treinado pelo teimoso e despreparado Arturzinho.
Mas ontem foi a gota d'água. Aliás, domingo e ontem foram
dois baldes de água fria.
Depois de perder para o Rio Branco (AC) no último fim de
semana, o Bahia precisava ao menos empatar com o ABC, em
Natal, para continuar dependendo de si para chegar ao
octogonal final da Série C do Campeonato Brasileiro.
Mas o Bahia perdeu. Perdeu o jogo. A qualidade e a vergonha
na cara já andam sumidas do Fazendão há muito tempo. E
quando aparece algum garoto que tenha essas duas virtudes,
destoa dos dirigentes, e o menino logo é vendido a preço de
banana (exemplos de Jorge Wagner, Daniel Alves, Rafael
Bastos e Danilo Rios).
Voltando ao choro, o Bahia perdeu para o ABC (2x1). O Rio
Branco venceu o Fast (AM), na casa do adversário, em
Itacoatiara, por 3x0. Aliás, nesse grupo, o Fast só tem um
ponto. Adivinhe de quem esse ponto foi tirado? (Só te dou
uma chance para acertar...)
Agora o ABC lidera o grupo com 12 pontos, o Rio Branco tem 9
e o Bahia, apenas 7. E só dois se classificam para o
octogonal.
Portanto, o Bahia precisa de um milagre para chegar à última
fase da Série C (e eu que vi o Bahia ficar muito perto de
uma semifinal de Libertadores, 19 anos atrás). O Ex-quadrão
de Aço vai ter que ganhar do Fast e torcer para o Rio Branco
não vencer o classificado ABC, em sua própria casa, onde tem
100% de aproveitamento. Se isso não ocorrer, adeus Série C.
E adeus Série B, Série A e, para sempre, adeus a dignidade
do primeiro campeão nacional (1959) e do primeiro
representante brasileiro na Taça Libertadores (1960).
Mas sabe qual o pior? Eu acredito que o ABC pode arrancar um
ponto do Rio Branco lá no Acre. Mas não acredito que o Bahia
vença o Fast na Fonte Nova. Loucura?
Não, know-how em morrer na praia nas mãos de Marcelo
Guimarães, Petrônio e Maracajá, especialmente na presença da
torcida. Vejamos:
a) em 1997, na última rodada da Série A, o Bahia precisava
de uma vitória simples contra o Juventude, na Fonte Nova,
para não cair para a Série B. Resultado: empate em 0x0 e o
primeiro rebaixamento do Bahia em 27 Brasileirões.
b) em 1998, já na Série B, o Bahia perdeu para o Ceará,
também em casa, por 2x1 (um gol olímpico e outro do meio do
campo - criminoso Bechara!), e passou a precisar golear o XV
de Novembro no último jogo, na Fonte Nova. Com a combinação
de resultados, precisava dar 5x0. Deu 4x0 e foi eliminado
ainda na fase de grupos.
c) em 1999, no quadrangular final da Série B, bastava vencer
o Goiás para praticamente se classificar, faltando duas
rodadas. Resultado: perdeu em casa. Então precisava tirar um
pontinho do Santa Cruz, em Recife, para continuar com
chances. Resultado: perdeu de novo.
d) em 2004, na última rodada do quadrangular decisivo da
Série B, o Bahia precisava vencer o Brasiliense, já
classificado para a Série A e torcer para o Fortaleza
derrotar o Avaí, lá no Ceará. Resultados: o Fortaleza
ganhou; o Bahia perdeu em plena Fonte Nova. O tricolor
cearense foi para a divisão de elite e o baiano, já que o
assunto é morrer na praia, ficou a ver navios.
e) em 2005, depois de fazer um papel ridículo na Série B, o
Bahia precisava vencer o Paulista, dessa vez fora de casa, e
torcer por alguns resultados, para não cair. Resultado:
Bahia perdeu de novo e aviltou a sua história ganhando uma
vaga na terceira divisão.
f) em 2006, depois de fazer a melhor campanha geral da Série
C, o Bahia perdeu o rumo no octogonal. Perdeu para o
Ipatinga na Fonte Nova, perdeu para o Barueri fora de casa,
foi humilhado pelo Ferroviário em Fortaleza (7x2), jogou
fora a chance de subir para a Série B e ainda assistiu ao
rival (Vitória da Bahia) ser vice-campeão da terceirona (o
único vice que faltava ao Vicetória).
g) a mais recente palhaçada aconteceu no Campeonato Baiano.
O Bahia precisava vencer o Atlético de Alagoinhas para
brigar pelo título contra o Vitória, na última rodada. O
jogo foi na Fonte Nova e o time de Petrônio só empatou e deu
a taça de campeão ao Vitória por antecipação.
Por isso, em 2007, simplesmente não acredito mais. Como
disse, até acredito numa colaboração do ABC ao Bahia. Mas
duvido que o Bahia vença o Fast na Fonte Nova.
Ah, e também não acredito que Petrônio renuncie. Ele vai
preferir viver administrando o clube que ele ajudou a levar
ao ostracismo e se esconder da torcida, que, furiosa, talvez
não tenha mais controle dos seus atos se encontrá-lo pela
rua.
Só acredito, ou melhor, tenho esperança, em uma operação
policial-judicial que finalmente comprove o que todo mundo
já sabe, que há muitas falcatruas no Fazendão, o que me
permite sonhar com o dia em que as pessoas que tanto mal
fazem ao clube serão arrastadas do Bahia de camburão.
Aliás, nem nisso acredito, pois, permitindo-me parafrasear o
ex-Governador Octavio Mangabeira, que dá nome à Fonte Nova,
hoje sepulcro do Bahia: Pense num absurdo, no Bahia tem
precedente!
Espero que eu esteja errado, mas sei que muita gente não
acredita nisso...
Marcel Mascarenhas dos Santos, Brasília-DF.
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