Arquibancada
Estrela tricolor!
07/10/2007
Juro que não acreditava mais. Mas a
estrela tricolor veio direto do passado, do dia 7 de agosto
de 1994, para evitar o ocaso do Bahia. Raudinei, há 13 anos,
marcou, aos 46 minutos do segundo tempo, o gol que deu o
título do Campeonato Baiano ao tricolor, em cima do rival
Vitória, num dos canecos mais comemorados de sua história.
Hoje, foi preciso um pouco mais. Aos 50 minutos do segundo
tempo, o empate em 0x0 persistia na Fonte Nova. Charles
mudou a escrita que impingia ao Bahia sua derrocada final.
Precisava mesmo ser homônimo de outro herói tricolor, também
chamado Anjo 45, justamente por seus gols em fins de jogos.
O Charles de hoje botou a bola para dentro, fazendo o gol da
vitória que deu ao Bahia a chance de avançar ao octogonal
final da Série C e continuar a sonhar em voltar para a Série
B, para diminuir a mancha de vergonha que uma diretoria
incompetente fez consumir a nossa gloriosa bandeira.
É incrível comemorarmos um nada. Nunca imaginei torcer
fervorosamente por um resultado improvável para não ser
eliminado da Série C. Mas é isso que temos.
Foi no sufoco. Teve mala preta (falam em R$ 200 mil) ao
ABC-RN para que o já classificado time potiguar ao menos
empatasse com Rio Branco, no Acre. 0x0 lá foi suficiente
para manter a esperança tricolor. O Bahia passou a precisar
de uma vitória simples. Mas precisou da ajuda também do
árbitro, que expulsou dois do Fast-AM, não marcou um pênalti
claro para o time amazonense aos 44 minutos do segundo tempo
e ainda deu seis minutos de acréscimos. No derradeiro
minuto, veio o gol de Charles.
Aleluia! A Fonte Nova, hoje vazia (menos de 9 mil pagantes),
veio abaixo. A imensa torcida tricolor, espalhada na Bahia e
no Brasil, respirou aliviada e agora comemora. Não um título
importante, mas o adiamento do funeral e a perspectiva de
sair da UTI.
A esperança foi renovada, mas é preciso muita coisa para
sair do porão do futebol brasileiro. A começar, nesse exato
momento, pela demissão do treinador Arturzinho, verdadeiro
responsável pela falta de padrão tático da equipe e pelo
clima de animosidade dentro do grupo de jogadores. O segundo
passo é manter os pagamentos em dia e tentar melhorar o
clima no Fazendão. O apoio da torcida virá, como poderá ser
visto já no próximo domingo na Fonte Nova, contra o CRAC-GO.
E basta o Bahia ser altivo e se mostrar combativo e
competitivo, para que a imensa massa tricolor empurre o
time, jogo a jogo, para o ascenso.
Ao final do campeonato, com a classificação à Série B,
espero, o que todos anseiam é o último passo fundamental à
recondução do Bahia, qual seja, a renúncia coletiva da
Diretoria e imediata reforma do estatuto para convocação de
eleições diretas.
Quem sabe assim teremos nosso Bahia de volta!
Marcel Mascarenhas dos Santos, Brasília-DF.
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