Arquibancada
Sonho?
09/10/2007
Hoje tive insônia. Acordei suado no meio
de um sonho muito estranho onde eu corria de um bando de
ladrões. É claro que eles eram muito mais rápidos do que eu,
afinal nos meus sonhos eu sempre corro mais devagar que os
vilões. Virei uma esquina e vi uma nave espacial que estava
no final da rua. Estava frito! De um lado o fogo e do outro
o caldeirão. A cruz e a espada. O mar, o rochedo e eu, um
sirizinho. E o pior é que ainda nem existia a dança do Siri,
afinal, estávamos em 1988 e o pessoal do Pânico na TV ainda
estava no jardim de infância. O presidente era José Sarney e
o meu time estava nas finais do campeonato Brasileiro contra
o poderoso Internacional de Porto Alegre. Eles iam de
Taffarel e a gente de Bobô. Acarajé contra chimarrão. Acho
que foi a tensão desta decisão que me levou a ter este sonho
estranho, na verdade um pesadelo.
Enfim, estava na maior cilada e não tinha nada a fazer,
quando então avistei uma banca de revistas. Entrei na banca
e assisti ao embate dos ladrões com os alienígenas de
camarote. Parecia um daqueles filmes épicos. Pelotões
enfileirados enfrentavam-se no campo de batalha. Eu na banca
de revistas peguei uma cadeira, pedi um cafezinho e puxei um
jornal para ler. Os exércitos se enfrantavam, era sangue pra
todos os lados, tripa voando pra cima e pra baixo. E eu
lendo meu jornal A Tarde. Caderno de esportes. Tava
lá: “Bahia vence e se classifica para o octogonal”. Achei
estranho, estávamos na final e não num octagonal. Continuei
a ler.
“O Bahia venceu o Fast Club, do Amazonas, por 1 a 0, na
Fonte Nova. Com esse resultado, o Bahia se classificou para
o octogonal e segue na disputa da série C do Campeonato
Brasileiro. Charles marcou para o Bahia aos 50 minutos do
segundo tempo.”
Pára tudo! Marcianos e ladrões pararam tudo e acompanharam
atentos a leitura comigo.
“Para garantir o passaporte à próxima fase da Terceirona,
o Bahia não só deveria ganhar do Fast, como torcer para o
ABC de Natal não perder para o Rio Branco. O jogo no Acre
acabou empatado em 0 a 0.”
Olhei a data e estava lá: 08/10/2007. Acordei naquele
instante e aí então pude confirmar que estava sonhando.
Aquilo não era verdade. Estávamos no ano de 1988, na final
contra o Inter e não no octagonal da terceira divisão de
2007. Não tinha pra ninguém, meu time tinha Bobô, o melhor
elenco, o melhor técnico e um presidente retado: Paulo
Maracajá, que nunca ia deixar acontecer isso ao Bahia...
Guilherme Poetzscher, Salvador-BA.
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