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MEU JOGO  

MEU JOGO!

Internacional 0x0 Bahia (1989)
09/08/2004

Nascia mais um lindo dia de Sol que para muitos era apenas mais um dia, mas, para outros, esse dia seria muito especial e inesquecível. Era um daqueles dias que você jamais esqueceria. A ansiedade tomava conta de mim e fazia com que as horas não passassem, cada minuto parecia interminável. Eu tinha apenas treze anos de idade e já era apaixonado pelo meu time como se fosse um torcedor veterano, eu respirava futebol e aquele momento era o mais especial que eu já vivera. Esse grande dia era 19 de fevereiro de 1989, data que determinaria o campeão brasileiro do ano de 1988. Por eu ser muito jovem, meus pais não deixaram que eu viajasse para Porto Alegre a 3.090Km de Salvador para poder ver de perto o tão sonhado e esperado título brasileiro que muitos achavam impossível que o meu Bahia pudesse conquistar. Nós estávamos na Ilha, na praia de Conceição veraneando e curtindo o clima de final que se alastrava por todo o Estado da Bahia e porque não dizer, por todo o Brasil.

Lembro-me muito bem da quarta-feira aqui em Salvador quando Bobô deu a arrancada inicial para o título e desbancou o Inter de Taffarel com uma grande virada, virada digna de campeão. Foi a primeira vez que eu bebi uma cerveja com o meu pai, comemorando a vitória mais importante da história do meu glorioso tricolor. Inesquecível também foi aquela vitória dentro do Morumbi sobre o poderoso São Paulo por 2 x 0 com um lindo gol de Zé Carlos de fora da área. Não precisa nem falar da grande goleada imposta sobre o Santos do Dr. Sócrates aqui no nosso templo por 5 x 1 e também os 3 x 1 sobre o Grêmio que tinha um grande time.

Tive o privilégio e a felicidade de poder ter vivido essa época e junto com a nação tricolor ter empurrado o nosso Bahia rumo à conquista do título maior do futebol brasileiro.

Voltando para o grande dia, me lembro que colocamos a televisão na lateral da casa e sentamos todos juntos para torcermos pelo Bahia e pela Bahia já que haviam alguns rubro negros entre nós que estavam torcendo pelo tricolor de aço. Era um grupo de mais ou menos umas 20 pessoas e a animação era contagiante, parecia que já sabíamos que seríamos campeões.

Nunca me esquecerei da grande defesa do goleiro Ronaldo num chute de Luís Fernando a queima roupa que Ronaldo defendeu em cima da linha e não deu nem rebote, ali eu comecei a acreditar que o título já tinha dono e esse dono era o Esporte Clube Bahia. Quando faltava apenas 1 minuto para terminar o jogo sem gols toda a turma estava de pé em frente à televisão e eu que era bem baixinho não conseguia ver nada, aí eu me abaixei e fui passando entre todos até chegar na frente da televisão e esperar o Sr. Dulcídio Vanderlei Boschila apitar o final do jogo e decretar o meu BAHIA CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1988!

Que emoção! Eu não acreditava que aquilo estava realmente acontecendo, e falava pra mim mesmo: O Bahia é o melhor do Brasil, somos o melhor do Brasil! Foi fantástico aquele momento, meus irmãos e primos chorando, todos tricolores, eu estava em estado de êxtase! Foi a maior alegria da minha vida até o presente momento, nem a Copa de 1994 conquistada pela seleção brasileira chegou a ser tão importante para mim quanto esse título brasileiro!

Meus amigos mais novos, que não presenciaram esta final, têm em sua lembrança o título baiano de 1994 conquistado no último minuto com um gol de Raudinei, mas eu fui mais feliz, pude acompanhar toda a campanha daquele título que nunca mais sairá da minha memória!

Saudações a todos os amigos tricolores!

André Luis Cabral Martins - o famoso “Littleway” da torcida do Bahia! -, 29 anos, Salvador-BA.

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