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MEU JOGO  

MEU JOGO!

Bahia 5x4 Internacional (1994)
17/08/2004

Desde feto sou Bahia. A primeira vez que estive na gloriosa Fonte Nova foi ainda antes de me desligar do cordão umbilical. Minha mãe estava grávida de 7 meses num Bahia x Atlético em 83, jogo que o Bahia ganhou por 2 a 0. Ainda como bebê fui diversas vezes à Fonte Nova levado por meus pais. Sabia a escalação do tricolor desde que aprendi a falar, entretanto, por agruras da vida, justamente no ano de 88 minha paixão pelo tricolor esfriou, vertendo minhas atenções à Jaspion, Jiraya, etc... (até hoje meu pai me conta a história de como ele me chamou pra ir pra Fonte ver Bahia e Fluminense na semi-final de 88 e eu respondi que queria ficar vendo Changeman).

Por volta dos 7 anos (91), voltei a me interessar por futebol e pelo tricolor novamente. Porém, a partida que realmente me marcou foi justamente a final do baiano de 92, 3x3 e vitória da Bahia campeão. A garra, a raça, a vontade, e principalmente a torcida tricolor foi o que realmente marcaram no meu coração uma tatuagem nas cores azul vermelho e branco. Me emocionei lendo o texto do leitor Thiago Madureira nesta seção, justamente por ter sido a respeito do jogo que me marcou como início das minhas memórias do Esquadrão, e me motivou a redigir este texto.

A partida que venho aqui relatar aconteceu em 94, na Copa do Brasil daquele ano contra o Internacional-RS. Na primeira partida, em Porto Alegre, os gaúchos venceram com um magro 1x0. Ao Bahia restava ganhar com 2 gols de vantagem em sua casa. Estávamos exatamente na virada do Campeonato Baiano (tínhamos vencido a primeira das 5 partidas que iríamos ganhar consecutivamente do rival, tendo perdido as 5 primeiras). Torcida animada mas meio desconfiada. Logo no primeiro minuto o Bahia fez um a zero, e 5 minutos depois, 2 a 0.

Aquela equipe do Inter era boa, contava com Paulinho McLaren (goleador na época) e outros jogadores de nome, mas o Bahia vinha com muita raça e a habilidade de um então jovem Paulo Emílio (que posteriormente foi escorado do elenco e foi parar na Rússia até hoje). Não me lembro muito bem do resto da partida pois tinha apenas 10 anos, mas de repente o Bahia começou a se achar dono do jogo e o Inter começou a dominar. Desilusão total, na metade do segundo tempo os gaúchos já tinham virado o jogo pra 4 a 2 e sobravam em campo. Pra piorar a situação, Marcelo (atualmente Marcelo Ramos) ainda perdeu um pênalti chutando no travessão. No rebote outro pênalti foi cometido e não marcado.

Tudo parecia perdido quando, mais ou menos aos 30, o time voltou a pressionar o Inter. Lá pelos 35, gol, pensei comigo mesmo "menos mal, 4 a 3 já não é goleada". Os jogadores pegaram a bola e correram pro meio de campo, com esse gesto a torcida se inflamou. Os 10 minutos que se seguiram foram de uma pressão até hoje não igualada por nenhuma equipe que eu já vi, literalmente só dava Bahia. Aos 42, outro gol. Aos 45, o canhão Missinho deu uma bomba no meio do gol, o goleiro do Inter rebateu e o inesquecível Raudinei sem ângulo deu um toquinho com a bola entrando chorada no canto.

Delírio total na Fonte Nova. A torcida pulava e gritava. Até na arquibancada especial, onde assistia os jogos com meu pai nesse época. Vale lembrar que naquela época o juiz não avisava quanto ia dar de acréscimo no final da partida, mas tínhamos certeza que o jogo iria até 49, 50, porque o Inter fez uma cera tremenda, com jogadores simulando contusão, goleiro demorando na reposição, muitas faltas, etc.

A torcida estava em êxtase com a grande virada, mas 5 a 4 ainda dava a classificação aos gaúchos, pelo critério de gols marcados fora de casa. Os jogadores sabiam disso e já na saída de bola do Inter correram pra marcação por pressão, quando pra assombro de todos os presentes, o juiz encerrou o jogo logo na saída de bola.

Lembro que saí do estádio num misto de alegria com o time e raiva com a arbitragem (coisa que viria a se tornar corriqueira), e com uma certeza: Eu sou Bahia até depois de minha morte.

Lef Kovalinski Vieira, estudante de Direito da Unifacs e integrante da Torcida Jovem Disposição Tricolor, Salvador-BA.

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