Lucas Neves
O exemplo vem de cima
02/03/2007
Lá se vão dois meses de trabalho
e a torcida continua sem entender Arturzinho. O treinador
insiste em contrariar a maioria absoluta dos torcedores
e não escala o meia Danilo Rios como titular do Bahia.
Fora isso, foi preciso uma série de contusões
para que Artur desse uma chance para Ednei, que era mais
uma exigência da torcida tricolor.
Arturzinho não está fazendo
nada mais do que seguir o exemplo de seus superiores. O
seu chefe Petrônio Barradas também insiste
em contrariar toda a torcida tricolor, que pede a sua saída
do clube juntamente com toda a diretoria e “colaboradores”.
Barradas ignorou uma passeata com quase 50 mil pessoas nas
ruas exigindo a sua renúncia; ignorou o “Público
Zero”, que esvaziou a Fonte Nova nos dois primeiros
jogos do Bahia no ano, e ignora milhares de carros nas ruas
com o adesivo da campanha “Devolva meu Bahia”.
Então não é de se
estranhar que Arturzinho bata de frente com os anseios da
massa tricolor. Como bom funcionário, o treinador
segue a linha adotada pelos seus superiores. Além
disso, a revolta da torcida com Arturzinho é bastante
proveitosa para a diretoria do Bahia. Com a ira voltada
para o treinador, os dirigentes conseguem uma trégua
nos constantes protestos dos torcedores.
Tudo bem que Arturzinho não é
o maior dos problemas do Bahia, longe disso, mas o treinador
tem se equivocado em vários pontos, causando a revolta
da torcida. O treinador insiste em não escalar Danilo
Rios, meia de melhor produção do Tricolor
no ano, sendo que em alguns jogos o atleta sequer é
relacionado para ficar entre os reservas.
Essa atitude do treinador,é no mínimo,
estranha. O goleiro Darci denunciou que Arturzinho tem problemas
com alguns atletas do elenco, citando o exemplo de Danilo
Rios e Emerson, que não vêm sendo escalados
sem justificativa. Talvez esteja aí a explicação
para a birra de Artur com a jovem promessa do Bahia. Não
dá para ver Marcelinho jogando, enquanto Danilo Rios
não figura nem no banco de reservas.
Não dá para entender também
um treinador que não repete uma escalação
em dois jogos consecutivos por opção própria.
Os treinadores brasileiros lamentam constantemente a impossibilidade
de repetir a mesma formação, seja por contusões
ou por suspensões dos seus jogadores. Aqui no Bahia
o treinador tem a possibilidade de repetir a mesma escalação
em partidas seguidas, mas prefere modificar a formação,
prejudicando o entrosamento da equipe.
São estranhas também as substituições
de Arturzinho. Durante a partida contra o Colo-Colo, ele
utilizou cinco jogadores no setor ofensivo. A escalação
inicial contava com Fábio, Ednei e Moré, enquanto
Charles e Rafael Bastos entraram no decorrer do jogo. Diante
do Itabaiana, Arturzinho começou a partida com dois
atacantes, Moré e Ednei. Quando decidiu realizar
uma substituição buscando melhorar o setor,
o treinador sacou Ednei e colocou Amauri em seu lugar. Amauri
não foi nem a quinta opção em Ilhéus.
Ele não estava nem no banco de reservas. No mínimo
incoerente. Incoerência que se acentua pelo fato de
Charles ter realizado uma boa partida diante do Colo-Colo,
marcando um gol.
O repórter Daniel Dórea,
do jornal A Tarde, já alertava que a invencibilidade
do Bahia não enganava a torcida. Em 2006 o Tricolor
também passou por uma longa série invicta.
Foram dez jogos sem perder, até a derrota na Fonte
Nova para o Ceilândia, pela primeira fase da Copa
do Brasil. Em 2007 a história vem se repetindo. O
time vinha de onze jogos sem perder, até enfrentar
o Itabaiana pelo jogo de volta da primeira fase da Copa
do Brasil, na Fonte Nova. A derrota para os sergipanos quebrou
a invencibilidade que o Bahia ostentava. Esperamos que as
semelhanças com 2006 parem por aí, pois sabemos
como o ano passado terminou para nós.
Lucas Neves, 22 anos, é estudante
de Administração de Empresas.
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