Carlito
Nenhum jogador do Bahia, ao longo de sua
história foi tão ídolo da torcida quanto o centroavante
Carlito. Foi o maior artilheiro do Bahia de todos os tempos
com 235 gols. Por muitos anos foi adorado por torcedores que
apenas ouviram falar dele e de seus incríveis gols de cabeça
ou que, no máximo, o viram jogar já no final de sua brilhante
carreira. Foi titular do Bahia durante 10 anos (de 1949 a
1959), embora tenha jogado até 1961 e também participado da
campanha da primeira Taça Brasil.
Carlito não esquecia dos prêmios e presentes que recebeu ao
longo de sua carreira – como quando da chegada da delegação
que voltou da Europa em 1957. Ele foi carregado pela torcida
no Aeroporto de Ipitanga e recordava: "Ganhei mais de
trezentos presentes, não sabia o que fazer com tanta coisa".
Mas houve também momentos de aborrecimentos , embora ele
sempre tenha procurado entender a torcida. Certa vez, em 1955,
dentro do Elevador Lacerda, o craque vinha ouvido na mais
absoluto silêncio um torcedor lhe fazer criticas porque havia
perdido dois ou três gols numa partida que o Bahia perdeu para
o Ypiranga. Acontece que Carlito foi reconhecido por outro
torcedor, que chegou para o exaltado tricolor e disse: "Você
sabe quem é esse cara que está aí ao seu lado? É Carlito". O
outro por pouco não leva uma surra – foi salvo por Carlito.
Contra o Botafogo aconteceu outro caso interessante com a
torcida. Carlito driblou o beque, invadiu a área e, frente a
frente com o goleiro chutou fora. Não ficou zangado. Riu a
valer. Alguns torcedores notaram e, no intervalo, Carlito
recebeu a advertência no vestiário do diretor Hamilton Simões:
"Rapaz, como é que você perde um gol daqueles e ainda rir?
Isso não fica bem a torcida não gostou". Carlito, profissional
correto e que detestava ser repreendido, guardou aquelas
palavras com raiva. Primeira chance que teve no segundo tempo,
colocou a bola no fundo das redes. Sem comemorações, sério,
Carlito foi caminhando até o banco de reservas e perguntou ao
diretor: "Como é, agora posso rir?"
Carlito ria mesmo quando se lembrava de uma passagem na Taça
Libertadores da América em 1960. O Bahia havia perdido de 4x1
para o San Lorenzo da Almargo, na Argentina, precisava ganhar
em Salvador. Na metade do segundo tempo, o jogo estava
empatado em 2x2 quando o juiz chegou perto dele e disse que
fora indicado para cair na área. Na primeira bola que dividiu
com o zagueiro, acabou perdendo o apoio e caindo. O juiz
marcou pênalti. Marito cobrou e fez 3x2. No dia seguinte, o
juiz estava lá na sede central do Bahia recebendo 50.000
"contos", na época um dinheirão.
No fundo, o aparentemente alegre Carlito era um homem triste.
Morreu de cirrose hepática em 1980.
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